comemoramos os direitos do homem. Podemos pensar numa cultura do
excesso e, de forma ambígua, da moderação e do
equilíbrio. O autor faz uma crítica a Foucault (sociedade
disciplinar) e a Bourdieu (classes sociais), ao escrever que a análise
do social se explica melhor pela sedução que por noções
de disciplina e alienação. Partindo de conceitos como
moda e consumo para analisar a dinâmica social, Lipovetsky explica
que há uma desvalorização do passado e valorização
do novo; o individual reacende sobre o coletivo, há uma subjetivação
do gosto, caracterizando o resultado de novas valorações
sociais ligadas a uma nova posição e representação
do indivíduo.
Não sabemos ser atletas sem a gota do lactato, sem o tênis
leve, sem o relógio com tecnologia GPS[5].
Somos subjetivados por esta cultura onde o corpo e as tecnologias
são um só. Direcionamo-nos ao entendimento do corpo
tecnológico, onde os artefatos, os valores recheiam e estendem-se
sobre o corpo retirando a dissociação entre corpo-máquina.
A profusão de equipamentos baseados no princípio da
informação e da tecnologia perpassa os domínios
da vida cotidiana, estando à tecnologia onipresente, colonizando
e construindo-se mutuamente com o dito natural. A questão do
artificial se descola, assim, de uma possível dicotomia com
o natural, pois a sociedade e o homem se formam
no processo de artificialização do mundo. Sendo assim,
o homem sem arte, sem técnica mental e gestual, nos é
desconhecido (Lemos, 2004, p.165). O desempenho atlético é
um devir-ciborgue, onde a gênese da técnica é
resultado de um processo simbiótico que forma o homem, a técnica
e a cultura.