Não seremos ingênuos de pensar que a tecnologia é
um mal para o atleta, longe disso, veio ao encontro de necessidades
que deveriam ser supridas. Por exemplo, sabemos que um atleta possui
um gasto energético diário muito elevado e que para
suportar a rotina de treinos mantendo a homeostase orgânica,
só conseguirá através do uso de suplementos e
complementos alimentares, pois a demanda funcional não seria
equilibrada somente através da alimentação regular.
Desta forma minimizam-se os efeitos negativos advindos da carga de
trabalho feita pelo corpo humano, recuperando-o para a próxima
carga de trabalho.
Fica evidente que técnicas para medir e trabalhar a velocidade,
a força, entre outras, têm sido de grande valia, pois
consegue prever, identificar e dar visibilidade aos pontos específicos
a ser trabalhado pelos atletas, e sem eles o trabalho para focalizar
a demanda ficaria dificultado.
O que desejamos problematizar é a naturalização
destes adventos tecnológicos que constroem modos de ser atletas
de hoje em dia, onde o corpo é tratado como uma máquina,
assim como a cultura societária passa a assumir responsabilidade
sobre a manifestação corporal do homem. O dinheiro,
a pressa, o individualismo, a tecnologia, a lógica do mercado,
o artificialismo tomam conta do corpo e da subjetividade.
Lipovetsky (2004, p.122), fala sobre os tempos hipermodernos, ampliando
o prefixo “hiper” para outras esferas da vida, como por
exemplo, hiperconsumo, hiperindividualismo, hipernarcisismo. A hipermodernidade
multiplicou as temporalidades divergentes. Hoje, o que se busca no
consumo é, antes de tudo, uma sensação viva,
um gozo emotivo. É um consumir sem esperar, divertindo-se,
não renunciando a nada, consumir e consumir-se.
O que caracteriza o “hiperconsumo, ou consumo-mundo, é
o fato de que até o não econômico – família,
religião, sindicalismo, escola, procriação, ética
– é permeado por esta mentalidade”. Cabe destacar
que esta relação não elimina os valores humanos,
dos sentimentos, da amizade, do altruísmo. Quanto mais se impõe
a mercantilização da vida, mais