Os ciborgues podem ser entendidos de duas maneiras: o ciborgue protético
– que utiliza o próprio corpo para sofrer mudanças,
e o ciborgue interpretativo – que sofre influência da
mídia, da cultura de massa e do espetáculo, onde é
dominado e transformado em pura programação tecnológica;
uma subjetividade marcada pelas redes informacionais, pensador multimídia,
corpo funcional multifacetado, conectividade generalizada.
Elucidamos essa questão com um exemplo narrado no vivido. Hoje
em dia, quando vamos a uma partida de futebol torcer pelo nosso time,
procuramos e esperamos o momento mais sublime da partida: o gol. Este
gol, em muitos casos, pode não ser visto no momento em que
acontece. Seja por estarmos no banheiro, indo comprar uma bebida,
conversando com nossos amigos, falando no celular ou tirando fotos.
Logo, o fato mais esperado pelo torcedor poderá passar despercebido.
Fica registrado o placar da partida, porém, a imagem do gol
contra o adversário não fica marcada, porque não
a visualizamos.
Ao chegarmos em casa, ligamos a TV para assistir ao noticiário
da vitória de nosso time. A partida de futebol já passa
a ser vista com outros olhares, pois ela está interceptada
por narradores e comentaristas esportivos, vemos o gol a primeira
vez pela tela do aparelho eletrônico e, ainda, sob diversos
ângulos e com direito a replay. O gol no campo passa a ser de
um segundo, de um instante, e muitas vezes não visto. Enquanto
que o gol virtual visto de casa é múltiplo, atemporal,
com opções. Ou seja, pode-se gravar a imagem, congelar
e repeti-la quantas vezes achamos necessário.
Mendonça (2001) destaca que quando falamos do corpo e da sua
hibridização ou interação com a máquina,
encontramos o vínculo entre o social e a subjetividade. As
metamorfoses sofridas pelo corpo, seja através do objeto artístico
ou nas experiências tecnológicas, estão imbricadas
em estratos e códigos sócio-culturais e fluxos espaços-tempos
que além de modelizar o corpo, modelizam a subjetividade. Louro
(2004) diz que não há