Olhamos para o lado, respiramos,
caminhamos e nossa subjetividade, assim, por estas redes tecnológicas,
acaba por ser consumida. Entendemos por subjetividade aquilo que não
é o ser, mas os modos de ser, não é a essência
do ser ou da universalidade de uma condição, não
se trata de estados da alma, mas uma produção tributária
do social, da cultura, de qualquer elemento que de algum modo crie
possibilidades de um ‘si’, de uma ‘consciência
de si’, sempre provisória. (Bernardes & Hoenisch,
2003).
No momento atual, naturalizamos a artificialidade, o imediatismo e
a tecnologia do corpo. (Re)inventamos modos de ser e estar no corpo,
transformamos o indesejável em nunca existido, maximizamos
e potencializamos o que por nós é admirado e minimizamos
o que temos defasado.
Lemos (2004) ao falar da civilização do virtual, destaca
que esta lógica impõe a desordem, o inesperado, o ordinário.
Com isso, a própria noção de social, classe,
indivíduo, gênero, passam a ser problematizadas pela
multiplicidade que a virtualização oferece. Através
do conceito de ciborgue, é possível compreender os sujeitos
e as relações sociais e culturais destituídas
de hierarquias sociais, sexismos, racismos. E, além do mais,
na virtualização da cultura contemporânea, o corpo
vai ser marcado pelo excesso, pelos múltiplos poderes, ele
servirá como superfície de escrita de vários
textos: ideológico, epistemológico, tecnológico,
econômico, político. Será um cenário de
experiências, de possibilidades. Entramos na cultura do excesso,
onde as margens entre fronteira e cultura entram em colapso.
Haraway (2000) destaca que a idéia de ciborgue surgiu a partir
de três abalos de fronteira: animais x seres humanos, orgânico
x inorgânico e físico x não físico. Fomos
transportados a uma subjetividade híbrida, que escapa da rigidez
identitária, meio orgânico, meio artifício, identidade
parcial e contraditória, aceita a diferença ao invés
de lutar contra ela, sugere uma forma simples de sairmos do labirinto
dos dualismos.