identitárias construídas na normalização
das performances de gênero e da sexualidade não implica
em negar o papel das balizas identificatórias na (auto) constituição
dos sujeitos, mas refletir sobre as formas de dominação
que limitam as práticas de invenção de si (Maluf,
2002).
Goellner (2003) menciona que no corpo são conferidas diferentes
marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas,
grupos sociais, éticos, etc. O corpo é provisório,
mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções
consoante o desenvolvimento científico e tecnológico
de cada cultura, bem como suas leis, seus códigos morais que
cria sobre os corpos os discursos que sobre ele produz e reproduz.
Deixa de ser o corpo para tomar a dimensão de corpos, no sentido
plural da palavra. Corpos escritos no tempo, ao tempo, com tempo.
Formam-se, (de)formam ao vento nas escrituras e discursos de épocas
e culturas. Enfim, trataremos do corpo como se fora um gelo desprendido
de uma geleira deslizando pelos oceanos sendo apropriado e reinventado
conforme construções passageiras de cada pedaço
de terra que há de perpassar.
Tragamos o “gelo” para o nosso continente no momento atual:
sociedade do consumo, dos ciborgues, da internet, dos laços
frágeis, do corpo hipersexualizado, do capital, do desigual,
do belo, da estética, do rendimento, do record, do faturamento,
do sem fronteiras. Focalizemos nosso olhar ao corpo desnudo. Será
que nosso corpo deveria acabar na pele? Façamos o entendimento
que Goellner (2003) nos traz:
Um corpo não é somente um corpo, é também
o seu entorno. Mais do que músculos, vísceras, ossos,
o corpo é também a vestimenta e acessórios
que o adornam, as intervenções que nele se operam,
a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam,
os sentidos que nele se incorporam, a educação de
seus gestos...por fim, não são as semelhanças
biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os significados
culturais e sociais que a ele se atribuem (p.29)
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