antropológico, em meados do século XIX, vergava-se
para o estudo das culturas focalizando seu olhar para artefatos materiais
produzidos, arquitetura e resquícios dos fragmentos deixados
pelas civilizações estudadas. O conceito de cultura
definia-se e era conceitualizado a partir de um conjunto de produções
materiais de um dado grupo. Dessa maneira o grupo que produzisse mais
e melhores objetos seriam considerados dotados de mais cultura.
Podemos pensar com isso que a cultura estava localizada fora do homem,
sendo apenas produto material de sua evolução. Para
a Antropologia Tradicional, assim como nomeia Daólio (2001)
a concepção da época sofria atravessamentos da
concepção evolucionista de Homem, classificando-o como
primitivo ou civilizado de acordo com o seu desenvolvimento evolutivo.
No final do século XIX e início do século XX,
com o advento de uma diferente forma de pesquisar as culturas, qual
seja, os estudiosos interessando-se em realizar uma prática
de campo mais intensa e profunda, começaram a permanecer nas
sociedades um tempo mais longo que o até então destinado
a este fim. Desta maneira foi-se instaurando na época a pesquisa
in loco, etnográfica. A partir desse momento uma nova ênfase
no estudo do sujeito e da cultura foi sendo construída. A antropologia
descristaliza-se da ciência que coletava curiosidades de povos
exóticos para uma ciência com base na compreensão
e explicação dos sujeitos e suas particularidades culturais.
A cultura deixa de ser um critério material e externo para
ser entendido como um processo dinâmico inerente a todos os
humanos. Nasce a partir dessa ruptura epistemológica a Antropologia
interpretativa, a qual penetra nas significações e símbolos
produzidos pelas e nas pessoas de determinada sociedade.
Mauss (1974), antropólogo Francês, na década de
20 do século passado, cunha um termo que direcionaria o estudo
do indivíduo para além do determinismo biológico.
Nesse termo - fato social total - é manifestado a consideração
do ser como totalidade ao mesmo